Politicamente incorreto e atrapalhado, o Capitão Presença conquista mentes chapadas ou não

Almanaque Virtual

Cueca por cima da calça, ok. Uniforme de malha apertada, confere. Capa esvoaçante, checado. Máscara, certo. Tem um fiel escudeiro? Um não, dois. E, como não poderia deixar de ser, cria um mascote. Olhando por esse ângulo, o Capitão Presença parece atender aos principais requisitos para ser um super-herói de quadrinhos como tantos outros. Mas… na hora de conferir os super-poderes, nada de teia de aranha, cinto de utilidades, visão de raio-x ou uma força descomunal. Tudo bem, o Presença até voa, só não ambiciona salvar o mundo. Sua missão na terra parece ser bem simples, mas encontra resistência em setores onde a marola não alcança: levar sua, ahn, erva da força aos necessitados.

Criado pelo cartunista Arnaldo Branco, esse super-herói para lá de incomum chegou dischavado no blog do autor e ganhou as páginas das revistas Tarja Preta (editada pelo muso inspirador do personagem, Matias Maxx, lenda na cena alternativa carioca) e F., publicação de Arnaldo em parceria com os também cartunistas Leonardo e Allan Sieber. O sucesso inesperado do personagem fez com que ele se teletransportasse para um álbum próprio, As Aventuras de Capitão Presença, recém-lançado pela editora Conrad.

Preza – como é carinhosamente chamado – nasceu Capitão Presença em 2003 e, tal qual um cachorro, atingiu a maturidade no tempo em que os humanos nem teriam se livrado das fraldas. Grandinho, descobriu os prazeres da degustação de baseados, vem fazendo jus ao seu nome e cumprindo com louvor – e alguns percalços – a missão de ter sempre unzinho para oferecer. Dentro de seu uniforme verde-cannabis, Presença se une ao atrapalhado Mané Bandeira e ao bicão Super-Aba para combater o crim… digo, a seca. Isso sem esquecer da companhia do cachorro Malhado, apelidado de Laricão. O quarteto sobe morro para evitar o trabalho de seus pupilos, Preza enfrenta a cana por causa da falta de noção de Bandeira e ainda tem que lidar com a seca e a larica de Super Aba.

Ao contrário do que Arnaldo previa quando lançou o personagem, sem grandes pretensões, Preza conquistou mentes, chapadas ou não, e ganhou vida própria, com direito a releituras de cartunistas como MZK e Schiavon. Usando o livro como plataforma, Presença aproveitou para lançar sua candidatura à Presidência da República. E foi em meio à fama repentina, aos problemas com a polícia e ao engajamento político que Preza – sim, o personagem! – nos concedeu uma entrevista, que será publicada neste mesmo espaço nesta sexta-feira. Ah, ficou com vontade? Pois vá ler o que o companheiro almanaquista Filipe Quintans escreveu sobre As Aventuras do Capitão Presença no blog da editoria Livros, confira trechos do álbum no site da Conrad e leia mais sobre Arnaldo Branco e Capitão Presença no Mau Humor.

Confira a entrevista aqui.


Ego

Liv Brandão, 22 anos, bailarina frustrada e proto-jornalista. Carioca demais pra ser mineira, mineira demais pra ser carioca.