Pois é. Eu moro numa rua pacata de um bairro pacato, cortada por pés de tamarindo do começo ao fim. Eis que anteontem começou um movimento de cercar a área entre duas árvores quase em frente ao meu prédio. Primeiro, uns operários vestido de azul cercaram uma área retangular com estacas brancas. Ontem, voltaram e instalaram as barras horizontais pra fechar a cerca. E eu e minha mãe, vendo tudo daqui de cima, sem entender nada. A primeira hipótese era acabar com o estacionamento de ocasião em que os motoristas transformam os espaços entre as árvores. A segunda ninguém nem cogitava.
Hoje cedo, quando os operários voltaram pra terminar o silviço, dois velhinhos - pois é, bairro bucólico sempre tem velhinho adornando a paisagem - quebraram o maior pau, armaram aquele barraco, fizeram aquele escarcéu, tudo porque estavam putos com a obra que até então eu não imaginava pra que servia. Tanto falaram, tanto xingaram, tanto reclamaram, que mais nada foi feito hoje. Até que descobri o motivo: o tal cercadinho servirá de PLAYGROUND PRA CACHORRO - outro item muito comum nas redondezas - além de ser reservado às necessidades fisiológicas dos bichinhos. Sim, estão construindo um MICTÓRIO de cachorros em frente à minha casa! Legal, né?
Agora tá o maior bafafá na portaria, gente indo e vindo, pranchetas com listas de abaixo assinado, tudo por causa da idéia ESTÚPIDA de juntar os cãezinhos do bairro, vinda de uma madame qualquer e acatada por algum político imbecil da trupe do César Maia.
Enquanto isso, repelente tá superfaturado nos supermercados porque a cidade tá vivendo essa epidemia de dengue. Legal, né?





Deve ser algum lobby de alguma associação de animais. Primeiro os mosquitos são tratados a pão de ló, com água limpinha e parada, agora são os cachorros. Fora que os cães de madame são mais asseados que os homens. Acontece algo próximo daquele poema “O bicho”, do Bandeira.
Este seu post me fez lembrar de um antigo rock do Eduardo Dusek, no qual ele dizia “troque seu cachorro por uma criança pobre sem carinho, sem rango, sem cobre. Deixe na história de sua vida uma notícia nobre”.
Pelo visto a coisa não mudou.